12.09.2013 // comportamento

Eu podia fazer uma lista sobre como é divertido ser solteira, mas não. Não irei. A verdade é que isso aqui é um desabafo, isso aqui sou eu, em minha glória, mandando todo mundo ir se catar. Ser solteiro não é a festa do bundalêlê, pelo menos não sempre. E me cansa, me cansa muito, ouvir as pessoas dizendo isso.

Ser solteiro é uma responsa, meu. Não é por que uma pessoa está solteira que ela pode sair por aí fazendo o que quiser, sem bom senso nenhum. Ela até pode, mas não é o tipo de ação que dura; o corpo, assim como o cérebro e o coração, tem um limite. Todas as pessoas têm um limite, e os solteiros não estão fora desse grupinho.

É muito difícil ser solteiro. Explico minha lógica: se você namora, você (normalmente) foca mais na outra pessoa do que em si mesmo, você tem alguém com quem conversar ou contar as frustrações e inseguranças, no fim ou a qualquer hora do dia. Você pode contar que aquela pessoa estará ali para você, assim como você estará lá para ela, quando qualquer um dos dois precisarem. Não funciona assim para os solteiros.

Os solteiros, é claro, têm pais, irmãos e amigos, mas eles não têm “outra pessoa”. Eles têm que conviver, e lidar consigo 24 horas por dia, sete dias por semana. É claro que ele pode conversar com os pais, irmãos ou amigos, mas você realmente acha que é a mesma coisa? É claro que não. Quando chega o fim do dia, os solteiros mandam mensagens para amigos ou os encontram, e ainda não é a mesma coisa do que encontrar “aquela pessoa”.

Podem me chamar de recalcada (já passei da parte da vida em que a gente realmente liga para o que chamam a gente, a não ser que seja realmente ofensivo), mas acho um absurdo gente que diz que não sabe ser solteira. Por favor, né? Você estava ali com a sua mãe na hora do parto, mas fora isso estava sozinho e solteiro. Pode ter tido namoradinhas ou namoradinhos de infância, mas passou boa parte da sua vida solteiro. Não existe isso de “não sei ser solteiro”, existe o “tenho medo de ficar sozinho” – que é o que as pessoas deviam admitir de uma vez, em vez de ficar inventando lorota.

E, na boa? Ficar solteiro um tempo é muito educativo. Assim como é educativo estar em um relacionamento. Uma coisa não acaba com a outra, elas se somam para resultar a pessoa que alguém é ou pode se tornar. Solteiro você descobre como se aguentar; em um relacionamento, você descobre quem te aguenta, e os dois sentimentos são incríveis. Nunca entendi o porquê de as pessoas fazerem um drama tão grande sobre não estar namorando.

Tenho certeza de que alguns (muitos) amigos meus virão com “mimimi você vive reclamando que não tem ninguém”, e eu reclamo mesmo. Gostaria muito de ter alguém que aguentasse meus desabafos quando eu chegasse em casa no fim do dia e que não fossem meus pais, meus irmãos ou meus amigos (que eu amo, mas… né?!). Ou só ter alguém para me fazer companhia em silêncio, já que, apesar do que pode parecer, não sou de falar muito.

Provavelmente também ouvirei: “- Ah, mas você está solteira porque quer!”. Gente, eu estou solteira porque eu quero. Porque eu quero ter um relacionamento, porque eu quero achar alguém legal que aguente minhas velhices aos 24 anos, porque eu quero ter alguém que me adicione coisas na vida, quero ter alguém que faça eu me sentir em casa independente do lugar que eu estiver. Se eu quisesse só fazer sexo, é óbvio que não estaria solteira, ninguém estaria.

E não podemos nos esquecer das tias nas festas de família, né? As tias nas festas de família são uns dos maiores obstáculos da vida dos solteiros.

Não está fácil para ninguém, gente!

Fotos: Divulgação

Sem Comentários