25.10.2013 // comportamento

Eu ia começar esse texto com a frase “Eu nunca tive um quarto só meu”, mas isso não é totalmente verdade; meu irmão é dois anos mais novo do que eu, portanto, eu tive um quarto só meu por dois anos. Em teoria, o quarto já não era só meu, porque meus pais tinham planos de terem mais um filho, então eu iria dividir um quarto, de qualquer maneira, em algum momento da vida.

Não acho isso ruim – muito pelo contrário, é muito legal dividir quarto! Eu sei que existe toda aquela coisa de individualidade e divisão de lados no quarto, mas, na minha opinião, é a união das coisas que deixa tudo mais legal. Poucas coisas são mais divertidas do que combinar com o irmão de ficarem acordados até “mais tarde” e os dois dormirem às 22h achando que já são gente grande (os filhos únicos que me perdoem, mas tenho certeza que vocês já fizeram algo parecido com amigos-irmãos).

Continuando: tive o meu próprio quarto por dois anos. Depois disso, dividi o quarto com o meu irmão. Nove anos depois, nós dois dividimos o quarto com a minha irmã. Alguns anos depois, dividi o quarto só com a minha irmã. E depois, com a minha irmã e com a minha mãe. Hoje em dia, divido o quarto com a minha vó (mas, na real, o quarto é mais dela do que meu); e também divido o quarto com quem mais quiser dividir o quarto comigo, porque, poxa, acho que sou uma companhia agradável e não ocupo tanto espaço assim.

Hoje, especificamente, eu tenho um quarto que é só meu. Ele começou às 4h10 de hoje, e vai terminar daqui um ano no mesmo horário. E acho que esse um quarto, por mais subjetivo que seja, é mais significativo para mim do que qualquer quarto literal que eu possa ter no futuro. Esse meu um quarto subjetivo é importante exatamente por ser único, e ser só meu durante um ano inteiro. Outras pessoas podem tê-lo, mas eu tenho certeza que todos são diferentes uns dos outros.

É engraçado ter esse um quarto porque eu não sou de fazer planos a longo prazo, só vou indo conforme as coisas acontecem e conforme minhas vontades. E eu não consigo explicar de uma maneira que não seja dramática, mas pra mim é muito estranho estar aqui, nesse ponto da minha vida. Também não imaginei que fosse passar tão rápido – acho que essa é a parte mais incômoda. Eu sei que ainda tem outros quartos pela frente, mas não vou ficar pensando neles; vou focar só no que eu tenho agora.

Minha vida, do jeito que ela está agora, é boa. Sei que precisa de alguns, talvez vários, ajustes; mas isso vem com o tempo, e talvez depois do meu um quarto. O importante é que hoje, nesse um quarto, eu consigo dizer que tenho momentos de felicidade plena (e digo momentos porque acho difícil, e muito complicado, implicar que humanos são totalmente felizes o tempo inteiro).

Também consigo dizer que, por mais que eu não seja a melhor pessoa do mundo, sou uma pessoa gostável. Consigo ver que eu cresci, e consigo ver o quanto cresci, e acho isso super importante. Eu ainda confio demais nas pessoas, quando sei que não devia, mas não tenho certeza se algum dia isso vai mudar. Acho que é importante ter as prioridades no lugar, também; e, no momento, é assim que as minhas estão.

Não sei quantos anos você que está lendo tem, se já passou ou não pelo seu um quarto. Eu acabei de chegar no meu; 25 anos, um quarto de século. É surpreendente. Feliz aniversário pra mim!

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